Alguns fenômenos geológicos, observados atualmente, podem resultar em desastres naturais, como os terremotos (geralmente associados à movimentação das placas tectônicas), os grandes deslizamentos de encostas (fluxos gravitacionais), as erupções vulcânicas, etc. Em muitas ocasiões, esses eventos catastróficos desencadeiam determinados processos (segregação e estratificação espontâneas, fluxos de lava basáltica, etc.) que são passíveis de correlação com vestígios dos mesmos fenômenos desenvolvidos, muito mais intensamente, no passado.

por Nahor Neves de Souza Jr.

 

por

Nahor Neves de Souza Jr.

Publicado pela SCB, em segunda edição (2004), com 208 páginas, acompanha cartaz ilustrativo e CD-Rom com palestra do Autor (Edição esgotada)

Formato 15 x 22 cm

Coleção Planeta Terra

 

 

Alguns fenômenos geológicos, observados atualmente, podem resultar em desastres naturais, como os terremotos (geralmente associados à movimentação das placas tectônicas), os grandes deslizamentos de encostas (fluxos gravitacionais), as erupções vulcânicas, etc. Em muitas ocasiões, esses eventos catastróficos desencadeiam determinados processos (segregação e estratificação espontâneas, fluxos de lava basáltica, etc.) que são passíveis de correlação com vestígios dos mesmos fenômenos desenvolvidos, muito mais intensamente, no passado.

A geologia histórica parece identificar-se muito melhor com os grandes desastres naturais, que se desenvolvem muito rapidamente, do que com os processos geológicos ordinários (não catastróficos). Por outro lado, os desastres naturais atuais são pontuais no tempo e no espaço; já aqueles “desastres naturais” pretéritos se manifestaram globalmente e de maneira ininterrupta, durante um curto intervalo de tempo.

Identificam-se ainda, analisando criteriosamente as feições estruturais e texturais dos estratos sedimentares, evidências de outros eventos geológicos, não observados no presente, que certamente teriam provocado drásticas transformações na superfície da Terra, como: impactos de gigantescos meteoritos, extinção em massa (de plantas e animais) e processos de erosão e sedimentação abrangendo áreas imensas.

Esses eventos cataclísmicos ocorreram, no passado, isoladamente ou de maneira interligada (um fenômeno desencadeando outro)? É possível estimar, com razoável aproximação, a duração dos correspondentes fenômenos? As interrogações apresentadas merecem uma consideração séria e objetiva, pois se referem ao período mais conturbado da breve história da Terra.

No Estado de São Paulo, como em quase todo vasto território nacional, o clima subtropical a tropical favorece a ação intensa do intemperismo que tende a transformar materiais rochosos em solo. Assim, o geólogo brasileiro geralmente se defronta com a escassez de afloramentos onde se possa encontrar rocha sã ou inalterada, com suas características estruturais e texturais preservadas.

Nos canteiros de construção de grandes usinas hidroelétricas na região Sul e Sudeste do país, especialmente no Estado de São Paulo, entre as décadas de 60 e 80, viabilizou-se o exame em detalhe de milhares de metros de testemunhos de sondagem, bem como o contato direto com extensas superfícies de rocha basáltica (rocha de origem vulcânica) inalterada, nas escavações necessárias à implantação de diversas estruturas de barragem. Na ocasião, vários geólogos inclusive este autor foram beneficiados com a rara oportunidade de estudar, minuciosamente, amplas exposições dos derrames basálticos da Formação Serra Geral (Bacia Sedimentar do Paraná).

Pesquisas científicas envolvendo as rochas basálticas, desenvolvidas pelo mesmo autor, junto à Universidade de São Paulo – USP durante 12 anos, possibilitaram-no acumular um significativo acervo de dados e chegar a conclusões surpreendentes. A título de exemplo, citaremos neste preâmbulo apenas a seguinte:

“O extravasamento dos derrames basálticos da Bacia do Paraná foi rápido e sucessivo. Os derrames encontravam-se em franco processo de resfriamento, ainda na fase líquida, quando já haviam sido sobrepostos por vários outros subsequentes. É exatamente este o motivo da aparência de corpos intrusivos, apresentada pela maioria dos derrames Serra Geral”.

Esta experiência pessoal harmoniza-se perfeitamente com outras realidades geológicas:

  • Os extensos e espessos estratos sedimentares, cujos contatos (plano-paralelos) apresentam-se sem indícios de erosão ou de ação intempérica (evidências de rápida superposição);
  • Dados experimentais, facilmente reproduzíveis, evidenciando o desenvolvimento espontâneo ou simultâneo das partes (“lâminas ou camadas”) de determinados pacotes sedimentares estratificados.
  • A possibilidade de se interligar, coerentemente, eventos geológicos globais e catastróficos (impactos de meteoritos, extinção em massa, etc.).
  • Estas e outras evidências nos estimulam a elaborar um modelo alternativo de coluna geológica, onde as longas eras (Paleozóico, Mesozóico e Cenozóico) do éon Fanerozóico, estabelecidas pela Geocronologia Padrão, são confrontadas com as divisões de um novo paradigma geocronológico.

O modelo proposto não pretende questionar a datação radiométrica utilizada para as rochas Pré-Cambrianas. Pergunta-se, entretanto: as divisões do Fanerozóico podem ser correlacionadas, com precisão, a idades radiométricas ou absolutas? Sobre que fundamento se construiu a escala de tempo fanerozóica?

“A escala de tempo fanerozóica é baseada em numerosas seções de rochas sedimentares que foram correlacionadas em âmbito intercontinental por meio de fósseis” (EICHER, 1982).

Uma declaração ainda mais comprometedora é apresentada pelo mesmo autor, justificando sua tentativa de apontar um outro índice paleontológico, mais preciso, do tempo geológico:

“Persistem ainda suspeitas de que, devido a alguma fonte insuspeita de erro sistemático, o calendário radiométrico inteiro, da base ao topo, poderia estar drasticamente errado” (EICHER, 1982).

Será que as técnicas mais modernas de datação radiométrica, desenvolvidas nos últimos anos, aplicadas às rochas sedimentares, estabelecem valores absolutos e precisos para toda a escala de tempo fanerozóica, independentemente da datação bioestratigráfica (baseada na disposição, relativamente ordenada, dos fósseis no registro geológico)? Na realidade, a imprecisão da datação é um dos aspectos mais frustrantes da geologia tradicional.

Sendo assim, cremos haver espaço para a construção de um modelo de coluna geológica que esteja fundamentado não em métodos de datação, mas sim, nas feições litológicas, estruturais e outros dados geológicos de campo, passíveis de serem identificados e interpretados por qualquer pesquisador isento. O estudo focalizará, preferencialmente, o período compreendido pelo Fanerozóico (mais especificamente, do Cambriano ao Terciário), durante o qual formaram-se os extensos estratos sedimentares com conteúdo fossilífero significativo.

Convidamos então o leitor, independentemente de sua cosmovisão, para que analise imparcialmente o texto do livro a fim de que, juntos, interpretemos os fatos. Em uma segunda etapa, procuraremos associar, coerentemente, esses mesmos fatos à hipótese mais consistente. Finalmente, buscaremos respostas convincentes a algumas importantes indagações relativas à história de nosso planeta.

Em breve será reeditado o livro pelo Autor.

Enquanto o livro não é impresso, adquira o DVD efetuado pela SCB em entrevista com o Autor sobre o Assunto Geologia Diluvialista (DVD-007).

Maiores informações em nosso site.