A ÁRVORE EVOLUTIVA DO HOMEM
NÚMERO 6 – SETEMBRO DE 1999 – ANO 28
SUPLEMENTO DA FOLHA CRIACIONISTA NÚMERO 61

 

 

 

O HOMEM DE PILTDOWN

 

 

 

O célebre antropólogo evolucionista Richard E. Leakey, conhecido pelas suas descobertas de fósseis na África, em seu livro publicado em Português pela Editora Melhoramentos / Editora Universidade de Brasília em 1980, intitulado “Origens”, apresenta um quadro bastante honesto do evento relativo ao chamado “Homem de Piltdown”, que foi apresentado em 1912 por Charles Dawson, na Inglaterra, e por quarenta anos foi considerado como o “elo perdido” entre o homem e o macaco:

“… Entre 1891 e 1898, em Java, um jovem holandês, Eugène Dubois, havia desenterrado a calota craniana e o osso superior de uma perna, ou fêmur, de uma criatura que, em definitivo, não era nem homem, nem antropóide, mas sim algo intermediário, ao qual ele chamou de Pithecanthropus erectus (o nome Pithecanthropus, que significa “homem macaco”, havia sido sugerido pelo cientista alemão Ernst Heinrich Haeckel, em 1886, como adequado a um ancestral humano).

… Quando em fins de 1912, foram descobertos fragmentos de um crânio, num poço de pedregulho ao sul da Inglaterra, o espécime foi bem acolhido dentro da família humana, com uma precipitação nunca vista. Uma razão para isso era que esse achado apresentava as credenciais corretas: um crânio grande, cuja antiguidade foi confirmada por uma mandíbula semelhante à de um antropóide, desenterrada pouco depois. O “fóssil”, conhecido como o “Homem de Piltdown”, parecia ser o “elo perdido” ideal.

Quarenta anos mais tarde, após avalanches de publicações, foi provado que o “Homem de Piltdown” era uma falsificação: uma engenhosa justaposição de um crânio humano moderno e a mandíbula de um orangotango. Em contraste com a relutância com que o “Homem de Neandertal” fora recebido (1856), a falsificação de Piltdown exemplifica a ânsia, algumas vezes inconveniente, com que os cientistas estão dispostos a aceitar aquilo em que eles querem acreditar. Os pesquisadores de hoje não estão isentos dessa fraqueza; e isto pode ser visto em todos os ramos da ciência. Mas, como em arqueologia as teorias são muitas vezes elaboradas a partir de dados relativamente escassos, os perigos de interpretações exageradas e de teorias distorcidas, são mais acentuadas nesse campo.”

Membros da Geologist’s Association visitam o local da
“descoberta” do “crânio de Piltdown”.

 

À medida em que os anos se passaram, os “fósseis” de Dawson foram-se tornando cada vez mais irreconciliáveis com outros que se consideravam autênticos. O “Homem de Java” e os fósseis africanos com crânios mais simiescos e mandíbulas mais humanizadas tornavam o “Homem de Piltdown um “paradoxo da evolução”! Assim, após ter sido despertada a primeira suspeita de fraude, apontando talvez para um embuste, foram procedidas análises químicas acuradas, levando em conta outros ossos que tinham sido encontrados no mesmo local, tendo-se então chegado à comprovação inequívoca de que os ossos apresentados por Dawson não pertenciam ao mesmo contexto dos demais, não eram contemporâneos, e não poderiam ter estado todos juntos na mesma jazida. Até pouco tempo permanecia ainda a dúvida sobre quem teria sido o autor do embuste. O jornal The Times de Londres, em 23 de maio de 1996 apresentou interessante notícia sobre o assunto, concluindo que o responsável pela fraude foi Martin A. C. Hinton, ex-curador de zoologia do Museu de História Natural, falecido em 1961. Hinton teria procedido dessa forma em virtude de uma desavença havida com Sir Arthur Woodward Smith, curador de paleontologia do Museu, girando em torno de uma questão relacionada com o seu pagamento pelo trabalho de catalogação!

Que a fraude de Piltdown tenha levado 40 anos para ser descoberta, é algo extraordinário. Mas que a própria teoria da evolução tenha permanecido muito mais tempo também como um grande engano, é algo verdadeiramente trágico!

 

 

Cientistas examinam a “descoberta”.

 

Rapidamente se pode verificar o movimento pendular entre a aceitação de estruturas conceituais em extremos distintos, ocorrido a partir de meados do século passado. Em 1859 é publicado o livro de Darwin “A Origem das Espécies”, seguido em 1871 pela “Descendência do Homem”. Em 1856 era difícil aceitar a ideia do “Homem de Neandertal”. Em 1886 Haeckel fala abertamente de um “Homem Macaco”. Em 1912 é aceita com euforia a “descoberta” do “Homem de Piltdown”. Em 1952 expõe-se à execração pública a fraude do “Homem de Piltdown”, e em 1980 um antropólogo evolucionista de renome honestamente adverte contra a “ânsia de aceitar aquilo em que se deseja acreditar”!

Recomendamos como leitura auxiliar sobre o assunto abordado nesta “Folhinha” os artigos publicados pela Folha Criacionista que constam do Índice Temático que pode ser encontrado na nossa “Home Page” sob a classificação IV.1.A – Ancestrais do Homem.

 

 

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