Introdução

Cabe esclarecer, inicialmente, que o moderno movimento criacionista ao qual a SCB se integra tem como fundamentação o retorno à estrutura conceitual aceita no mundo ocidental desde os primórdios da ciência moderna pelos grandes vultos que se destacaram no seu impressionante desenvolvimento. Essa estrutura conceitual aceitava que o Universo fora criado por desígnio e propósito do Deus revelado nas Escrituras e que, por sua coerência, também ele poderia ser estudado metodologicamente para revelar as maravilhas do planejamento desse Deus Criador.

Como exemplo emblemático da posição adotada pelos pesquisadores nesses primórdios da ciência moderna, pode ser citado Sir Isaac Newton, que na sua primeira carta dirigida a Richard Bentley, ao tratar do Sistema Solar, enfatizava que “os movimentos que têm os planetas hoje não poderiam originar-se de alguma causa natural isolada, mas foram impostos por um agente inteligente”. Newton, em outros escritos, também deixa clara sua viva fé em um Deus Criador, ao qual frequentemente se referia usando a expressão “Pantokrator” (Todo-poderoso), “com autoridade sobre todas as coisas existentes, sobre a forma do mundo natural e o curso da história humana”.

Ressalta-se, ainda, o fato de que Newton, ao mesmo tempo em que investigava o Universo físico sob a estrutura conceitual criacionista, também despendia tempo no estudo das profecias bíblicas, tendo escrito seu livro “Observações sobre as Profecias de Daniel e o Apocalipse” em 1733. Para ele, eram perfeitamente compatíveis o “livro da natureza” e o livro da revelação de Deus – a Bíblia.

É preciso ressaltar, então, que a SCB aceita o que se poderia chamar de “Criacionismo Bíblico” como estrutura conceitual dentro da qual se desenvolvem suas atividades de investigação e disseminação das teses criacionistas referentes às origens do Universo em toda a sua abrangência.

Em face das considerações acima, a SCB opõe-se à denominação de “Criacionismo Científico” em sua contraposição ao Evolucionismo, pois entende que tanto o Criacionismo quanto o Evolucionismo não constituem Ciência propriamente dita, mas são estruturas conceituais, cosmovisões ou visões de mundo que partem de pressuposições no âmbito filosófico para o desenvolvimento de suas respectivas teses referentes às origens do Universo. Assim, no campo de suas respectivas estruturas conceituais, na realidade ambos fazem apenas interpretações dos dados colhidos e tratados pelo método científico, sem estarem desenvolvendo atividades que poderiam verdadeiramente ser chamadas de científicas.

Por outro lado, a SCB reconhece que as próprias atividades científicas e os dados que delas derivam poderão estar sendo influenciados (às vezes até inconscientemente) pelas pressuposições adotadas na respectiva estrutura conceitual aceita preliminarmente.

O movimento criacionista moderno historicamente surge em contraposição ao Evolucionismo a partir da exacerbação das teses naturalistas, isto é, a partir da época em que se pretendeu estudar a natureza deixando de lado o aspecto sobrenatural nela embutido. É difícil fixar datas que caracterizem o início dessa reação ao status quo anteriormente existente. Entretanto, certamente o lançamento do livro de Charles Darwin “A Origem das Espécies” em 1859 não deixa de ser emblemático nesse contexto.

Darwin aos 51 anos (à esquerda), na época da publicação da 1ª edição de A Origem das Espécies (1859)

 

A propósito, Darwin, no Prefácio de “A Origem das Espécies” declara:

“Depois de cinco anos de um trabalho pertinaz, redigi algumas notas; em seguida, em 1844, resumi estas notas em forma de memória, onde indicava os resultados que me pareciam oferecer algum grau de probabilidade.”

Essa declaração de Darwin não deixa de ser impressionante para os estudiosos das profecias bíblicas que se deparam com uma cadeia profética que engloba as “Setenta semanas” e as “2.300 tardes e manhãs” do livro de Daniel (Daniel 9:24-27 e 8:14) em conexão com a “mensagem do primeiro anjo” do livro de Apocalipse, que aponta a mesma data de 1844 como início da pregação do “Evangelho Eterno” nos tempos modernos, culminando com o chamado para a adoração dAquele que fez “os céus, a terra, o mar e as fontes das águas” (Apocalipse 14:6-7)!

Em síntese, quando deveria surgir o movimento criacionista moderno dando glória ao Criador, surge também a sua contrafação no movimento evolucionista ateísta que tomou corpo particularmente com a pregação darwinista a partir de meados do século XIX, tornando-se praticamente hegemônico no século XX.

É por essa razão que a SCB aborda aqui o passado, o presente e o futuro do Criacionismo, de maneira geral, sob o pano de fundo daquilo que se poderia chamar de “Conflito dos Séculos”, isto é, uma visão bíblica transcendental que tem a ver com a história da origem perfeita de todas as coisas, inclusive a vida, planejadas em conformidade com os desígnios e propósitos do Criador, um período de degradação da perfeição original em virtude da rebeldia dos seres criados, e finalmente a restauração de todas as coisas à perfeição original planejada pelo Criador. Esclarecimentos adicionais sobre essa visão de mundo poderão ser obtidos nos livros publicados pela Casa Publicadora Brasileira, editora dos Adventistas do Sétimo Dia, na coleção intitulada “Série ‘O Grande Conflito’ ”.

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